A Anta Sports fechou a compra de 29,06% da Puma nesta terça-feira, 7 de outubro, e se tornou a maior acionista da marca alemã. O negócio, avaliado em € 1,5055 bilhão, muda o jogo acionário do setor esportivo global, mas não altera nada no curto prazo para quem segue os tênis de basquete da NBA: LaMelo Ball continua com a Puma e Kyrie Irving segue com a Anta, cada um vinculado à sua própria marca.
Como foi o negócio
A Anta pagou € 35 por ação para adquirir 43 milhões de papéis que pertenciam à Artémis, holding da família Pinault. O acordo havia sido assinado em 27 de janeiro, mas só se concretizou agora, depois de passar pelas aprovações regulatórias necessárias, incluindo o aval da autoridade de concorrência da China e a chancela dos próprios acionistas da Anta. O valor pago representou um prêmio superior a 60% sobre o último fechamento da Puma antes do anúncio do negócio, segundo dados compilados pela Bloomberg. A chinesa já descartou fazer uma oferta pela totalidade da empresa e disse que vai buscar assentos no conselho de supervisão da Puma, que segue listada em bolsa e com gestão própria.
Um ano de reset para a Puma
O momento financeiro da marca alemã ajuda a explicar o apetite da Anta. A Puma chamou 2025 de ano de "reset": as vendas caíram 8,1% sem efeito cambial, para € 7,296 bilhões, resultado de um corte deliberado em promoções e na presença em lojas de menor qualidade. O resultado das operações continuadas virou prejuízo de € 643,6 milhões, revertendo o lucro de € 280,7 milhões registrado em 2024. Para 2026, a companhia projeta novo recuo nas vendas, prejuízo operacional entre € 50 milhões e € 150 milhões, além do corte de cerca de 1.400 vagas corporativas. A expectativa de retomada do crescimento fica para 2027.
O CEO Arthur Hoeld recebeu o novo sócio com discurso otimista. "Para nós, o compromisso de longo prazo da Anta Sports é um grande voto de confiança na nossa estratégia, na nossa equipe de gestão e no nosso futuro", declarou. Ding Shizhong, presidente do conselho da Anta, seguiu o mesmo tom: "A Puma é uma marca icônica, com uma história rica e um potencial de longo prazo significativo. Temos total confiança na equipe de gestão e na direção estratégica". A meta declarada de Hoeld é transformar a Puma em uma das três maiores marcas esportivas do mundo, disputando posição num pódio hoje ocupado por Nike, Adidas e pela própria Anta.
Dois caminhos distintos na quadra
A Anta não é novata na NBA. Kyrie Irving assinou com a marca chinesa em 2022, ganhou linha própria de tênis e virou diretor criativo da Anta Basketball. O KAI 3, terceiro modelo da parceria, chegou às lojas em 17 de janeiro de 2026 por US$ 135, com novas colorações lançadas ao longo do ano. Klay Thompson, hoje no Heat, está com a marca desde 2014 e recebeu contrato vitalício anunciado no fim de semana do All-Star em Los Angeles, em fevereiro de 2026, com a linha KT. O grupo chinês também é o principal acionista da Amer Sports, dona da Wilson, fornecedora da bola oficial da liga.
Do lado da Puma, a Puma Hoops mantém três assinaturas ativas em quadra. LaMelo Ball, agora no Minnesota, lançou o MB.05 Lo em maio por US$ 120. Scoot Henderson, do Portland Trail Blazers, apresentou o Scoot Zeros III em fevereiro. Tyrese Haliburton, de volta ao Indiana Pacers após 16 meses afastado, tem o Hali 1 nas prateleiras desde setembro de 2025. Josh Giddey assinou com a marca em julho de 2025, e Labaron Philon Jr., 22ª escolha do Draft de 2026, entrou no elenco de atletas patrocinados neste ano.
Por que nada muda agora
Os contratos de LaMelo, Scoot e Haliburton são com a Puma, que mantém gestão independente mesmo com a Anta como maior acionista. Os de Kyrie e Klay continuam com a Anta. Nenhuma das duas empresas anunciou fusão de linhas, troca de atletas entre marcas ou produto conjunto. A lógica do negócio é outra: a Anta quer compartilhar experiência em varejo e operação, enquanto enxerga espaço de crescimento para a Puma na China, mercado que hoje responde por apenas 7% das vendas globais da marca alemã, segundo a Reuters. É justamente ali que a Anta já opera milhares de lojas e onde o tênis de basquete tem peso comercial maior. Por ora, LaMelo e Kyrie seguem em quadra como garotos-propaganda de marcas rivais, ainda que uma delas detenha agora quase um terço da outra.